28 de julho de 2010

Quijote


Olivia Ruiz é uma dessas cantoras que me fascinou à primeira vista, ao primeiro acorde. Francesa, voz potente e figura exuberante. O álbum "La Femme Chocolat" é de uma beleza incrível e tem sido o número um na trilha sonora do dia.

Meu jardim se enche de sons, se enche dessa voz triunfante e de letras muito vivas, pulsantes. Não sou crítica de música, apenas permito que essa voz embale as histórias desse jardim encantado. Afinal, o que seria de um jardim sem música?

Entre no site de Olivia Ruiz e se delicie!

Ah, também fica aqui uma sugestão muito interessante para conhecê-la. Confesso que é uma música que me faz desejar um Quijote...


23 de julho de 2010

Partir, andar


Escolhi suas palavras de adeus. Na verdade tenho pensado nisso desde o silêncio... Enchi de música o vazio e pronuncio aquilo que você não fez. Aceito serenamente a ausência de tua silhueta em meu horizonte.


Partir, Andar

Herbert Vianna


Partir, andar, eis que chega

É essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar, sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Dinheiro, grades ou palavras

Partir, andar, eis que chega
Não há como deter a alvorada
Pra dizer, um bilhete sobre a mesa
Pra se mandar, o pé na estrada
Tantas mentiras e no fim
Faltava só uma palavra
Faltava quase sempre um sim
Agora já não falta nada

Eu não quis
Te fazer infeliz
Não quis
Por tanto não querer
Talvez fiz.

21 de julho de 2010

DIlma 13 | Wagner 13 | Pinheiro 130 | Lídice 400 | Amauri 1311 | Gilmar Santiago 13610

20 de julho de 2010

Cores Em Mim


Cada cor é uma frequência
E os olhos captam a diferença
O branco é cor sem ser cor
Que a natureza transformou
No brilho que nos cerca e nos enche a vista
Que ofusca mas que ao mesmo tempo nos paralisa
Pintando a cada segundo o dia a dia da vida
Como raios multicoloridos que me fazem pensar.

Se tivesse cores em mim
Eu daria o tom
Coloria o que não tem cor
Rabiscava o céu.

Mas tudo o que o homem toca
Se modifica ou se desfaz
Manipulando algo que não conhece
Nao sabe se é capaz
De interferir na cor
Pintando cinza em tudo o que o dia projetou.

Se tivesse cores em mim
Eu daria o tom
Coloria o que não tem cor
Rabiscava o céu.

Mas no escuro eu não fico porque eu sei o meu lugar.
Não vou me adiantar
Querendo achar a soluçâo
Se as cores sempre vem e vão

Dado Villa Lobos

30 de junho de 2010

Nota de repúdio

CARNIFICINA É NÃO DESCRIMINALIZAR O ABORTO: UM DIREITO DA MULHER, UM DEVER DO ESTADO

As Centrais Sindicais brasileiras repudiam e manifestam a sua indignação à declaração do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que afirmou nesta segunda-feira, dia 21, durante sabatina do Jornal Folha de São Paulo, que não mexeria na atual legislação sobre o aborto. Para ele "liberar o aborto criaria uma verdadeira carnificina no país."

É lamentável que um candidato a presidência da República tenha essa postura. Ao fazer essa declaração, ele fecha os olhos para milhares de mulheres que recorrem ao aborto como o último recurso para evitar uma gravidez indesejada e não como um método anticoncepcional.

Não há mulher ou homem que defenda o direito ao aborto, que considere a interrupção da gravidez uma decisão fácil, pelo contrário, é uma decisão difícil para a imensa maioria das mulheres que precisam recorrer a ele, podendo gerar conseqüências tanto físicas quanto psicológicas.

O reconhecimento do direito das mulheres em decidir sobre sua sexualidade e reprodução é o princípio dos direitos humanos e da cidadania que substancia os direitos sexuais e os direitos reprodutivos.

Serra parece desconhecer os números apresentados pelos países onde o aborto foi legalizado e é realizado em condições seguras e adequadas. Nesses locais houve redução do número de abortos, da mortalidade materna e das seqüelas provocadas pelos abortos realizados em péssimas condições. Só para se ter uma idéia, enquanto a taxa de aborto por 1.000 mulheres é de 4/1.000 em países como a Holanda, no Brasil a estatística é 10 vezes maior: 40/1.000. E na África do Sul, país que legalizou o aborto em1997, a mortalidade materna caiu mais de 90% desde então.

Surpreende que um ex-ministro da Saúde faça uma declaração tão irresponsável como essa. Ele conhece os números do Sistema Único de Saúde. Quando Ministro da Saúde, José Serra foi pressionado a aprovar a norma técnica que assegura o acesso ao aborto legal no SUS. Ele sabe muito bem a quantidade de mulheres atendidas com hemorragia ao tentar fazer abortos em condições precárias. Sabe que a carnificina que ocorre é aquela patrocinada pela hipocrisia, pelos conservadores, moralistas, que fecham os olhos à realidade vivida por milhares de mulheres, que a cada dia, colocam suas vidas e sua saúde em risco, especialmente as pobres.

Ao utilizar o termo carnificina Serra propaga o caos e a desordem, o pânico.

Por isso, nós Centrais Sindicais, abaixo assinadas reiteramos nosso repúdio às palavras de José Serra e reforçamos o compromisso que assumimos na Assembléia Nacional da Classe Trabalhadora realizada no dia 1º de junho de 2010, onde as centrais assumiram a luta pela descriminalização do aborto e seu tratamento enquanto questão de saúde pública.

Não podemos aceitar que o Estado controle o corpo das mulheres e imponha a maternidade como um destino obrigatório a todas as mulheres.


Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Central Única dos Trabalhadores

Força Sindical

União Geral dos Trabalhadores

20 de junho de 2010

Raízes


Observo as montanhas e me dou conta do que há embaixo de meus pés. Sinto as raízes à flor da terra e toco meus joelhos em estruturas sólidas, estruturas que me mantém de pé. As formigas e minhocas fazem parte desse mundinho dentro de meu mundinho, dentro de meu jardim. A vida se expressa de diversas maneiras, dentre elas estão essas angústias bobas que afligem o peito.

A vida se expressa no sol e na chuva fina que agora cai. A vida se manifesta e se enraiza em meus sonhos distantes, sonhos daquelas e daqueles que anseiam a mudança. Minhas raízes estão encharcadas por suor e lágrimas, por luta e vitórias que continuo no meu cotidiano.

Minhas raízes trazem o sangue negro, o sangue dos povos originais. Minha ancestralidade se revela e pulsa viva em meu rosto, em minhas mãos, nos meus sonhos de liberdade e justiça. A minha feminilidade transborda e a energia criadora me toma a alma e o corpo.

Meu jardim foi erguido sobre essas estruturas que me forjam. A vida pulsa.

25 de maio de 2010

Ansiedade



Entre café e cigarros as noites passam depressa. Procuro nos pincéis digitais a válvula de escape para esse bichinho que tá me agoniando o peito. Insisto em pensar e dar outros nomes para aquilo que bem conheço: ansiedade. Parece que tá tudo fora do lugar. As roupas, os livros, os textos, a aranha que teima em se esconder (mal sabe o medo que ela me dá!). Mais um café, mais um cigarro...

Assistir o nascer do sol pela janela não deveria ser um grande programa, não quando se está na frente do computador numa madrugada de chuva. Talvez não seja o local, quem sabe as outras tantas razões que fariam disso um acontecimento extraordinário?

Volto aos pincéis digitais e deixo a imaginação fluir em meio às cores e formas que rabisco na tela. Nem a lentidão torturante do processador me tira do sério... Há o riso bobo que sempre brota pelas frestas da impaciência. Pena que os dias demorem tanto a passar, além de parecer que quando se está mais perto, o danado do relógio inventa de se arrastar morosamente e me faz assim: impaciente e deliciosamente ansiosa! Sim! É delicioso sentir o friozinho na barriga, não saber onde se pisa, jogar esse "baba" com chuteiras sem travas.

tic, tac, tic, tac...

Números mostram que o aborto tem que ser debatido com urgência

Às vezes, a informação é tão contundente que, García Márquez que me perdoe – começar um texto com ela é o mais impactante. Começa assim, simples e diretamente, a matéria da revista Época: “Uma em cada sete mulheres brasileiras entre 18 e 39 anos já fez aborto”. O impacto derruba da cadeira, mas faz a gente voltar rapidinho pra ler o resto. Baseada no mesmo levantamento, o Estadão completa: aos 40 anos, uma em cada cinco brasileiras já abortaram. Os números sobem de 15% para 22%. De qualquer forma, chocante, triste.

Triste porque aborto com certeza não é divertido. As mulheres não o fazem porque é bacana, apesar de ilegal, como fumar maconha. O aborto é pesado. Além da questão física, da intervenção no corpo, a maior agressão é psicológica. Difícil entender a relação da mulher com a maternidade, mas com certeza é muito forte, e tirar um filho não parece ser uma brincadeira legal.

Mas uma em cada sete mulheres faz isso. Faz porque precisa, porque pôr um filho no mundo é ainda mais complicado do que fazer um aborto, porque não está pronta para assumir a responsabilidade, porque simplesmente não quer ter um filho no momento, porque foi irresponsável, sim, mas e daí? Claro que se tem que prevenir, que é o ideal, mas e depois que vem a gravidez? E os números têm comprovado que a prevenção não está dando conta do recado.

Caso de saúde pública

Um dos dados que a pesquisa traz é que, ao contrário do que se imagina, o aborto não é feito só por mulheres pobres. O número de casos se distribui em todas as classes sociais, com mulheres de todos os perfis. A diferença é que mulheres pobres não têm acesso a tratamento decente, dependem da boa vontade de médicos que ganham mal e trabalham demais. E vai saber se não vai encontrar algum falso moralista que condene a prática e discrimine a paciente. No caso das mulheres pobres, na hora do aborto, a sorte é muito mais importante do que para as endinheiradas. E contar com a sorte é extremamente arriscado.

Ao que se conclui que o aborto é, sim, uma questão de saúde pública. É ilegal, mas é feito em larga escala. E mais da metade das mulheres que o fazem acabam sendo internadas, o que mostra a gravidade da coisa. Feito sem cuidado, sem a devida atenção médica, pode causar dor, sequelas, morte. Uma cadeia de tristeza, de sofrimento.

A Pesquisa Nacional do Aborto foi financiada pela Fundação Nacional de Saúde e entrevistou 2.002 mulheres entre 18 e 39 anos em todo o país. Tem margem de erro de 2%.

Por que o aborto deve ser legalizado

Mas mais do que se tratar de saúde pública, o aborto deve ser um direito. Como exigir que uma mulher tenha um filho que não quer? O que vai ser da vida dessa mãe? Que tipo de criação vai ter uma criança dessas?

Chega a ser cruel ter um filho sem desejar tê-lo, às vezes sem dinheiro para mantê-lo com uma vida digna, às vezes sem condições para dar o amor e atenção de que necessita.

Muita gente procura saber de quem é culpa para evitar que novos abortos aconteçam. Tem a mulher, que se deixou engravidar. O homem, igualmente responsável e raramente mencionado. O governo, que falhou nas campanhas de prevenção. O Estado, que não dá a devida assistência social – mas peraí, elas não são pobres, não é falta de dinheiro. Então, de quem é a culpa? Não sei. Mas acho que essa discussão, sinceramente, é irrelevante.

A questão é que decidir o que fazer com o próprio corpo, com a própria vida, é um direito. Não importa quem errou, importa o que vem pela frente. Aí vem aquele discursinho de que depois que fez tem que assumir as consequências. É um sétimo da população feminina brasileira entre 18 e 39 anos! Não é uma questão de irresponsabilidade, pura e simplesmente. São todas criminosas? Devemos prendê-las? Talvez deixá-las sofrer com abortos mal-feitos, já que são todas culpadas? O pai, esse pode assistir. Quando está presente.

É engraçado que muitos dos que condenam o aborto são aqueles que viram a cara para a criança pedindo esmola. Muitos são a favor da pena de morte. A mesma Igreja que acoberta a pedofilia condena o aborto.

Falso moralismo, conservadorismo, cinismo, hipocrisia, demagogia, sei lá o nome que tem. Pra mim é maldade. Ser contra o aborto é defender que uma mulher seja obrigada a ter um filho que não quer. É ruim para a mulher, para a criança e até para aquele que é contra o aborto, que, em alguns dos casos, vai ter que conviver com um jovem que cresceu sem pai, ou sem acesso a bens e serviços mínimos, ou sem amor, ou sem que os pais tivessem tempo para se dedicar para ele. Tantas possibilidades…

O certo é que tem que haver um debate. Não dá pra fechar os olhos, tem que se discutir. Porque está acontecendo, é grave, é cruel com as mulheres e fingir que não existe não resolve o problema.

http://somosandando.wordpress.com/

Cheiro de terra


Meu coração tá teimando em bater descompassadamente, certas manhãs ganham mais brilho e beleza de repente. As tarefas do dia se perdem entre uma lembrança e outra daquele riso meio sem jeito... Meu rosto se enrubesce e fico a esconder a pontinha de alegria que certos atos me causam. Me aproximo ainda mais das montanhas, na verdade, as trago para perto.

Expando meu jardim e experimento sensações que não fazia idéia do bem que me fazem. Construir uma imagem, alimentar um desejo, criar fantasias possíveis, têm me feito caminhar calmamente em direção aos sonhos escondidos e às pontas desse emaranhado de expressões daquilo que sou ou sinto. Certas coisas não necessitam existir de fato (sempre repito isso!), certas coisas "acontecem do nada", como marés de março em setembro ou uma conversa despretenciosa ao longo do dia.

Alimentar essa fagulha que estremece meu peito não me põe em nuvens ou algo do tipo. Termino por começar a entender um pouquinho mais de liberdade, um pouquinho mais sobre o que quero (não mais o que não quero). Meus pensamentos se ocupam com mais uma fantasia... Antes viver de sonhos bons!

A brisa que vem do alto traz o cheiro de terra molhada.

Mais um riso displicente brota em meu jardim!

21 de maio de 2010

É tempo de florescer a primavera!

Tenho negligenciado bastante diversos espaços, este não poderia ser diferente! Mas a sede de escrever não me abandona um segundo sequer, por mais que seja tímida o suficiente para ser insegura. Diversos acontecimentos despertaram explosões e sonhos que mal cabem em meu jardim. A flor sumiu de meu horizonte, o mar ganhou um tom de azul indescritível, ao longe vejo montanhas se desenharem e meu coração teima em dizer que está vivo, há pulso!

O friozinho atrás da orelha foi companheiro em horas de desespero, alegria, incertezas e choque. A disputa eleitoral para o DCE UFBA fez despertar a minha PRIMAVERA, aquela que carrego NOS DENTES! Assumo novas tarefas e me embrenho ainda mais nos meus sonhos de luta e tenho nas mãos a capacidade de transformá-los em realidade. A campanha foi de uma beleza incrível. Somos os jovens que fizeram a opção de ser a CONTRA-MOLA QUE RESISTE, de trazer a PRIMAVERA NOS DENTES e lutar pela construção de uma UFBA, de verdade, pública, de qualidade e socialmente referenciada. Meu coração se encheu de alegria com essa vitória que foi construída desde o primeiro dia, que foi conquistada à base de muito suor, lágrimas e risos.

Depois escrevo mais...