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20 de junho de 2010

Raízes


Observo as montanhas e me dou conta do que há embaixo de meus pés. Sinto as raízes à flor da terra e toco meus joelhos em estruturas sólidas, estruturas que me mantém de pé. As formigas e minhocas fazem parte desse mundinho dentro de meu mundinho, dentro de meu jardim. A vida se expressa de diversas maneiras, dentre elas estão essas angústias bobas que afligem o peito.

A vida se expressa no sol e na chuva fina que agora cai. A vida se manifesta e se enraiza em meus sonhos distantes, sonhos daquelas e daqueles que anseiam a mudança. Minhas raízes estão encharcadas por suor e lágrimas, por luta e vitórias que continuo no meu cotidiano.

Minhas raízes trazem o sangue negro, o sangue dos povos originais. Minha ancestralidade se revela e pulsa viva em meu rosto, em minhas mãos, nos meus sonhos de liberdade e justiça. A minha feminilidade transborda e a energia criadora me toma a alma e o corpo.

Meu jardim foi erguido sobre essas estruturas que me forjam. A vida pulsa.

25 de maio de 2010

Ansiedade



Entre café e cigarros as noites passam depressa. Procuro nos pincéis digitais a válvula de escape para esse bichinho que tá me agoniando o peito. Insisto em pensar e dar outros nomes para aquilo que bem conheço: ansiedade. Parece que tá tudo fora do lugar. As roupas, os livros, os textos, a aranha que teima em se esconder (mal sabe o medo que ela me dá!). Mais um café, mais um cigarro...

Assistir o nascer do sol pela janela não deveria ser um grande programa, não quando se está na frente do computador numa madrugada de chuva. Talvez não seja o local, quem sabe as outras tantas razões que fariam disso um acontecimento extraordinário?

Volto aos pincéis digitais e deixo a imaginação fluir em meio às cores e formas que rabisco na tela. Nem a lentidão torturante do processador me tira do sério... Há o riso bobo que sempre brota pelas frestas da impaciência. Pena que os dias demorem tanto a passar, além de parecer que quando se está mais perto, o danado do relógio inventa de se arrastar morosamente e me faz assim: impaciente e deliciosamente ansiosa! Sim! É delicioso sentir o friozinho na barriga, não saber onde se pisa, jogar esse "baba" com chuteiras sem travas.

tic, tac, tic, tac...

Cheiro de terra


Meu coração tá teimando em bater descompassadamente, certas manhãs ganham mais brilho e beleza de repente. As tarefas do dia se perdem entre uma lembrança e outra daquele riso meio sem jeito... Meu rosto se enrubesce e fico a esconder a pontinha de alegria que certos atos me causam. Me aproximo ainda mais das montanhas, na verdade, as trago para perto.

Expando meu jardim e experimento sensações que não fazia idéia do bem que me fazem. Construir uma imagem, alimentar um desejo, criar fantasias possíveis, têm me feito caminhar calmamente em direção aos sonhos escondidos e às pontas desse emaranhado de expressões daquilo que sou ou sinto. Certas coisas não necessitam existir de fato (sempre repito isso!), certas coisas "acontecem do nada", como marés de março em setembro ou uma conversa despretenciosa ao longo do dia.

Alimentar essa fagulha que estremece meu peito não me põe em nuvens ou algo do tipo. Termino por começar a entender um pouquinho mais de liberdade, um pouquinho mais sobre o que quero (não mais o que não quero). Meus pensamentos se ocupam com mais uma fantasia... Antes viver de sonhos bons!

A brisa que vem do alto traz o cheiro de terra molhada.

Mais um riso displicente brota em meu jardim!