30 de setembro de 2009

Enfeite-se!

"Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio. "

Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros

Insetos interiores

Tem um bichinho me coçando... É um não sei o quê buliçoso, matreiro, desses que tiram a gente do eixo e botam a cabeça longe a sonhar. O dia está lindo, o céu da primavera inspira para o verão. A brisa fresca da manhã anuncia a esperança da vida, na vida. A flor mais bonita do meu jardim me sorriu durante a noite, o mar foi testemunha e a lua se fez de holofote.

Meu jardim cresce a cada dia, o mar se aproximou e pude ver lindos olhos refletidos no espelho d'água. Meu jardim tem tomado a minha cidade. Posso percebê-lo ao ouvir música a beira mar e ter flores variadas a ornar o horizonte. Meu jardim tem tomado o meu tamanho. Flores novas surgem e permitem ainda mais diversidade de sons , cheiros e cores. O bichinho tá me coçando e ainda não sei onde dispersar tamanha energia.

Tô com vontade do belo, do afago, do calor da primavera. Acho que o verão tá me cutucando e deixando o mundo mais iluminado, mais radiante. A vida pulsa!

25 de setembro de 2009

Por quem os sinos dobram

O mundo só existe, o resto é abstração.

O mundo não vai deixar de ser mundo só porque amo, corro, ando, viajo, escrevo... O mundo vai continuar a ser mundo após a partida de cada um de nós. O mundo é mundo e o resto é abstração. Uso minha capacidade de abstrair ao criar, viver e sentir um mundo, meu mundo, meu ponto de vista. Parto de algum lugar e sigo por caminhos que só podem ser traçados por mim. Carrego sentimentos, dores, alegrias, anseios. Faço o meu céu ter cores berrantes, vejo sons e ouço cores. Tenho a liberdade de tê-lo assim.

Mesmo que o mundo continue mundo, posso devanear e enxergá-lo a meu modo. Óbvio que o mundo dos outros me influencia, e adoro descobrir as reentrâncias possíveis entre mundos diferentes. Sigo a passos largos os sonhos que me surgem, faço deles meu alimento, faço dos meus devaneios a morada. O mundo vai continuar a ser mundo e as pessoas vão continuar a senti-lo de diversas maneiras. A diferença reside na capacidade de abstração possível, na capacidade de ver o mundo do jeito que ele é e enxergá-lo do jeito que se deseja.

“A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti” John Donne

10 de setembro de 2009

O Seu Olhar

A Flor mais bonita do meu jardim me sorriu ao amanhecer. Foi como um beijo em manhã de verão, aquela coisinha que vai mexendo e contagiando, vai entorpecendo e tomando de alegria cada canto do corpo. Acho que, talvez por inocência, ela nem se dê conta do quanto me deixa envaidecida e feliz. Sei que as flores do meu jardim desobedecem a primavera e brotam em concreto ou em areia a qualquer dia do ano! A minha flor mais bonita me sorriu e a felicidade entrou pela porta da frente varrendo tudo o que encontrou pelo caminho, saiu pela porta dos fundos levando o que não me pertencia e deixou em seu esteio uma grande bagunça com cheiro de flor.

Para minha flor mais bonita dedico esta música e faço dela minha trilha...



O Seu Olhar

Paulo Tatit / Arnaldo Antunes

O seu olhar lá fora,
O seu olhar no céu,
O seu olhar demora,
O seu olhar no meu,
O seu olhar, seu olhar melhora
Melhora o meu.

Onde a brasa mora e devora o breu
Como a chuva molha o que se escondeu.
O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu.

O seu olhar agora, o seu olhar nasceu, o seu olhar me olha, o seu olhar é seu.
O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu...


4 de setembro de 2009

Às águas

Tô meio enferrujada... Andei dando umas bandas por longe e me perdi na volta. Mas será que realmente queria voltar para aquele ponto de onde saí? Acho que não. Sinto a felicidade transbordar, a chuva refresca o sabor dos sonhos vindouros.

Tenho tanto a falar... Só não sei por onde começar ou dar destaque. Talvez as águas que me regem tenham me deixado num porto distante. Estou feliz e isso deveria bastar. A chuva, o rio, a terra, o povo, os sonhos, as paixões, a luta, a vaidade, o trabalho... Sentir Amor. Não há neste mundinho de meu Deus coisa mais sublime que o Amor. Mas tem que ser Amor de letra maiúscula, de coração aberto. Feito boiar em água mansa. O Amor que sinto é como a água, é regido pelas águas. Tenho todos os amores em mim, tenho toda a força da água em mim.

Meu jardim ganha novos atores e atrizes no cenário. Já existem montanhas a meu redor, rios caudalosos, mares e praias. Minhas flores também ganharam novos tons, novas luzes, novas pétalas das mesmas histórias, novos olhares...

A flor mais bonita me sorriu. É o cheiro dela que me embriaga, que me transporta, que me coloca em contato com tudo o que desejo, o que admiro. Este perfume busca o meu âmago, não me escondo diante dele, não há como usar do dom de iludir... Apenas sou. Tenho uma obsessão por esta flor, ela é algo que prende os meus sentidos usando fios de areia prateada...

A pedra mais alta apareceu no horizonte. Não é minha, bem sei. Mas não canso de senti-la. Apenas fito olhares furtivos, tropeços de pés embriagados, colo e dedos dados. Da pedra mais alta é possível ver o último por-do-sol. E ele traz a chuva e o frescor da Liberdade e do Amor. Da pedra mais alta é possível sonhar.

Meu jardim cresceu, meu bem. Tem tomado proporções que ainda não acredito. Descubro a toda hora um canto novo, uma flor nova, um sabor diferente, a vida que brota displicente. Meu jardim tem se transformado no mundo que vejo, do mundo que eu sou. As lutas e batalhas me dão o sopro de vida necessário. Faço por sentir um grande Amor, o verdadeiro Amor a me tomar e me mover. O Amor é meu combustível. Meus sonhos são forjados em ideais igualitários. Meus passos seguem rumo à revolução.

Eu, meu jardim, um mundo possível, minhas flores, meus insetos interiores e exteriores, o som do cotidiano nada anunciado, o sol, a lua, risos e lágrimas, alegria, alegria, alegria, paixão, brisa de inverno, a chuva, a gripe, a tosse, a cerveja e o RIO!

Às águas, águas e águas que me carregam e banham. O rio que faz parte de mim. O rio de carrancas, pedras, pontes, aridez... O rio que me banhei e me joguei com os dois pés. O rio que aceitei, a água que hoje me embriaga. Meu rio.

28 de agosto de 2009

Joanninhas no meu jardim...


Resisti bravamente à doçura daquela menina de cabelos longos e lisos, achava que era muito bom pra ser verdade um ser se comportar daquele jeito. Ela não falava, ela seduzia a todas e todos com a voz mansa e o jeito sempre vigilante. Deixei de resistir e me envolvi mais e mais por aquela aura encantadora.

Construímos horas de choro, de desespero, de aflições bestas... Risos, gargalhadas, pequenas vilanias... Compartilhamos muitos dos segundos dos nossos dias apenas ficando perto, estando juntas. Dizer que a amo é muito pouco, ela já se tornou parte de mim. Ela mora nos meus sonhos, nas minhas alegrias, nas minhas dúvidas e rompantes de grosseria. Cumplicidade é o que temos. Somos duas almas bobas que, de repente, se encontraram pelo mundo. A carrego no meu coração.

Hoje, de cachinhos dourados como o sol, ela ilumina os meus dias. A sua voz, que continua mansa, demonstra ainda mais vitalidade e bravura. As joanninhas passeiam pelo meu jardim encantado...

Dedico estas linhas, estes pensamentos, toda a vida... Ela tem dois "n" no nome e o coração do tamanho do mundo!

27 de agosto de 2009

Cheiro de flor

Quase morri do coração... Há tempos não sentia aquele arrepio na alma e a doce aflição de não saber o que fazer. Senti o cheiro da mais bela flor de meu jardim. Não é amar, não é amor... Foi só cheiro de flor.


17 de agosto de 2009

Sutilmente

Mas quando eu estiver
Morto
Suplico que não me mate não
Dentro de ti
Dentro de ti...


Tempestade em copo d'água


Deveríamos vir com um manual de instruções para lidar com nossas emoções. Seria muito proveitoso saber como dizer "sim" quando se quer dizer sim e "não" quando se deseja soltar um vigoroso "NÃO". Enquanto essa inovação não surge, sobram as lágrimas que derrama-se aos baldes em cada novo conflito ou embate. Tenho uma alma inquieta e sei que seria muito difícil normatizar isso tudo!

Mas sempre seguimos um roteiro em cada coisa. Acho que tenho assistido filmes em demasia... Sempre encaro as coisas já pensando no seu final. Nada é para sempre, a não ser as impressões que ficam guardadas em nossas almas, em nossos corações.

Tenho uma alma inquieta e uma vontade de sentir tudo demais, sei que vou sucumbir por conta desses desejos que não controlo. Minhas emoções se comportam como cavalos selvagens em campo vasto. É lindo demais sentir cada trote, perceber o rumo que eles tomam, só é sofrido deixar que eles me guiem. Sinto que meu coração jamais terá paz. A minha harmonia surge do caos. Céu quando há céu, infernos e torturas quando há dor.

Mas é um roteiro e logo surgirá uma nova história com flores, harpas, corações e o que há de mais Rodrigueano nos seres humanos (ou o que há de mais humano em Nelson Rodrigues!).

Sou pedaços de um todo que se funde nos outros, que se embriaga nas dores e alegrias alheias. Tenho o céu enluarado em mim, tenho os mistérios do amanhecer e das mágicas gotas de orvalho que encobrem as flores de meu jardim.

Sou a brisa serena que precede a terrível tempestade.

16 de agosto de 2009

Amar, amar e amar...

Da série de perguntas sem resposta da humanidade:

O que é amar?

Vivemos dizendo um monte de coisas a respeito do amor e sobre amar... Mas não tenho a mínima idéia de quantas palavras são necessárias para explicar esse troço que nos acomete e tira do eixo. Amar não é ter posse, o amor liberta as almas...