4 de setembro de 2007

Reflexão

"Desenvolvimento é a ampliação das liberdades de escolha."
Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia.

Convergência

Como pode essa alma se perder
Nas horas do dia que se misturam
Nos sabores e lembranças que o vento traz
No luar a iluminar passos desconexos.

Como pode essa alma se achar
Pelos caminhos que a vida chegou
Num largo sorriso sincero
Num abraço apertado quase a sufocar.

Encontrar, perder, partir, chorar
Mudar, mudar, me dá, muda
Emudecer diante do olhar...

Liliane Oliveira
Salvador, 03 de Agosto de 2007

29 de agosto de 2007

O Último Pôr do Sol

A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.

No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei
sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que não vivi,
Pensando em nós dois


Eu lembro a concha em seu ouvido,

Trazendo o barulho do mar na areia.

No dia em que ocê foi embora,

Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer

Por entre as ruínas de Santa Cruz lembrando nós dois


Os edifícios abandonados,

As estradas sem ninguém,

Óleo queimado, as vigas na areia,

A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,

Por entre os dedos da minha mão passaram certezas e dúvidas


Pois no dia em que você foi embora, eu
fiquei
Sozinho no mundo, sem ter ninguém,

O último homem no dia em que o sol morreu


Lenine e Lula Queiroga



Olho de Peixe (1992)

pôster

28 de agosto de 2007

Amor de gente grande...


Amor de corpo inteiro. Um amor que transcende, transpira, transborda. Amor com mãos e pés. Com dedos, braços, pernas, barriga, pele e abraços.

Um amor que surpreende, sem nada inventar, sem precisar exagerar, sem ter que sempre entender. Simplesmente ser... preencher, existir!

Amor que não investiga, que não desconfia, que não acusa.

Amor de palavras, mas também de silêncio. Um silêncio que aquieta o coração, que acaricia a alma e alivia as dores!

Amor que esvazia, que abre espaço, que permite.

Amor sem regras, sem pressões, sem chantagens. Amor que faz crescer.
Amor de gente grande, de coração gigante, de alma transparente.
Amor que permanece. De mim para mim, de mim para você, de você para mim.
Amor que invade respeitando, que adentra acariciando, que ocupa com leveza. Amor sem ego. Que acolhe, perdoa, reconhece.

Amor que desconhece para conhecer, que nunca lembra porque não esquece! Amor que é... assim, sem mais nem menos, sem eira nem beira, sem quê nem porquê.

Simplesmente simples, despretensioso, descontraído, desmedido.
De uma simplicidade tão óbvia que arrasta, que envolve, que derrete.
De uma fluidez tão líquida que escorre, desliza, que não endurece.

Amor que não se pede, que não se dá, porque já é! Para nunca precisar procurar, para nunca correr o risco de encontrar, porque já está!!!
E o que quer que ainda possa surgir... bobagem! Apenas crescimento e aprendizagem...

Volta para casa, não se vá!
Fique, permita-se, entregue-se, comprometa-se!
Simplesmente amor... Você consegue?!?

Texto retirado do livro “Faça o Amor Valer a Pena”, de Rosana Braga – Editora Gente

20 de junho de 2007

Cartas para o ego

Escrevo cartas para ninguém
Meus devaneios tortos - só meus - só fazem sentido para mim
Meus pensamentos tortos, de palavras fáceis,
Só encontram eco em minha caverna rasa.

Escrevo minhas cartas para um ego
Um ego que se alimenta de fumaça
Da fumaça densa e escura
Produto das chamas que consomem meu mundo
Um mundo em constante transformação.

As chamas consomem tudo aquilo que achei que me pertencia
Algumas colunas e rios não são alterados
Só ganham novos tons de cinza
E são enfeitados com fuligem e poeira.

Ah! Minhas cartas para o ego
São pequenos focos de fogo
Que o sopro leve da dúvida
Transforma em incêndio sem controle
Necessário para um novo mundo
E um novo incêndio surgir.


Liliane Oliveira
Salvador, 18 de novembro de 2006

Dizer-te adeus

Decidi dizer-te adeus
Direi adeus ao silêncio
Direi adeus à distância
Direi adeus ao que criei.

Digo-te adeus, e também a mim,
Às minhas preocupações vãs
Aos meus devaneios tortos
À minha solidão quente.

Um dia, quem sabe, talvez
Folhei o meu livro de memórias
E me lembre deste dia
E dos outros dias
E dos dias que se seguiram
E me recorde tudo aquilo que não vivi
E tudo o que senti
E me pergunte ao final:
- Valeu a pena dizer-te adeus?

Liliane Oliveira
Salvador, 30 de outubro de 2006

25 de maio de 2007

Tô melhorando...

Tô melhorando minhas cartas... Quem sabe encontro eco!

Nem tão só

Quero ouvir a música da rua
Quero ter o cheiro do mato
Quero ver o arco-íris no mar

Vou sentir as batidas do meu coração
Num louco compasso ritmado
Vou rolar na grama e no asfalto
Vou me pintar em tons de cinza e grená

Vou tocar o céu com uma das mãos
E descortinar as janelas de minha alma
Quero sentir o doce orvalho da manhã
E vou dormir sob um manto de estrelas

Quero andar pelas ruas e descobrir segredos ocultos
Quero um beijo forte ao despertar
E um longo afago para me acalmar.

Liliane Oliveira
Salvador, 25 de maio de 2007