9 de maio de 2007

Frase do dia:

"O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só."
Leon Tolstói

3 de maio de 2007

Salvador do século XIX

Socorro

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo

Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir

Socorro, alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas

Já não sinto amor nem dor

Já não sinto nada

Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha

Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa

Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva

Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que
sirva

Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada

Socorro eu já não estou sentindo nada
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir

Socorro, alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas

Já não sinto amor nem dor

Já não sinto nada

Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha

Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa

Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva

Qualquer coisa que se sinta

Tem tantos sentimentos, deve ter algum que
sirva

(Arnaldo Antunes)

Eu quero um porto

Eu desejo um porto
Que ele tenha águas calmas
Que ele seja profundo

Eu desejo um porto que me aporte
Mesmo com minhas incertezas da maré correta
Mesmo com minha revolta pelas derrotas
Mesmo com minha alegria pelas vitórias
Mesmo com meus desvios de rota

Eu preciso de um porto que me aporte
Um porto que não me questione muito
Um porto que sinta a brisa serena que vem do mar
Um porto que me permita enxergar o horizonte numa noite de luar

Eu, talvez, não precise de um porto assim
Ele pode até não ter a vista ampliada do horizonte
Ele pode estar numa enseada ou num recife de corais
Ele pode ser tão livre quanto eu
Mas ele deve ser o meu porto como vier e como eu chegar

Liliane Oliveira
Salvador, 03 de maio de 2007

19 de março de 2007

Catando por aí...

Kahlil Gibran:

O Olho disse: “vejam que bela montanha temos no horizonte!”
O Ouvido tentou escutá-la, mas não conseguiu.
A Mão falou: “estou tentando senti-la, mas não a encontro.”
O Nariz disse: “não existe montanha, pois não sinto seu cheiro.”
E todos chegaram a conclusão de que o Olho estava enganado.

5 de janeiro de 2007

Um presente

Procelária

É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firme e certa como bala

As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente

Ela não busca a rocha o cabo o cais
Mas faz da insegurança a sua força
E do risco de morrer seu alimento

Por isso me parece a imagem justa
Para quem vive e canta no mau tempo.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)