3 de maio de 2007

Socorro

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo

Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir

Socorro, alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas

Já não sinto amor nem dor

Já não sinto nada

Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha

Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa

Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva

Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que
sirva

Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada

Socorro eu já não estou sentindo nada
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir

Socorro, alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas

Já não sinto amor nem dor

Já não sinto nada

Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha

Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa

Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva

Qualquer coisa que se sinta

Tem tantos sentimentos, deve ter algum que
sirva

(Arnaldo Antunes)

Eu quero um porto

Eu desejo um porto
Que ele tenha águas calmas
Que ele seja profundo

Eu desejo um porto que me aporte
Mesmo com minhas incertezas da maré correta
Mesmo com minha revolta pelas derrotas
Mesmo com minha alegria pelas vitórias
Mesmo com meus desvios de rota

Eu preciso de um porto que me aporte
Um porto que não me questione muito
Um porto que sinta a brisa serena que vem do mar
Um porto que me permita enxergar o horizonte numa noite de luar

Eu, talvez, não precise de um porto assim
Ele pode até não ter a vista ampliada do horizonte
Ele pode estar numa enseada ou num recife de corais
Ele pode ser tão livre quanto eu
Mas ele deve ser o meu porto como vier e como eu chegar

Liliane Oliveira
Salvador, 03 de maio de 2007

19 de março de 2007

Catando por aí...

Kahlil Gibran:

O Olho disse: “vejam que bela montanha temos no horizonte!”
O Ouvido tentou escutá-la, mas não conseguiu.
A Mão falou: “estou tentando senti-la, mas não a encontro.”
O Nariz disse: “não existe montanha, pois não sinto seu cheiro.”
E todos chegaram a conclusão de que o Olho estava enganado.

5 de janeiro de 2007

Um presente

Procelária

É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firme e certa como bala

As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente

Ela não busca a rocha o cabo o cais
Mas faz da insegurança a sua força
E do risco de morrer seu alimento

Por isso me parece a imagem justa
Para quem vive e canta no mau tempo.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

27 de novembro de 2006

O que é um Zahir?

Segúndo o escritor argentino Jorge Luis Borges, la idea del Zahir viene de la tradición islámica, con un origen estimado en el S. XVIII. Zahir, en árabe, significa visible, presente, incapaz de pasar desapercibido. Algo o alguien con el que una vez entramos en contacto, y que termina por ir ocupando poco a poco nuestro pensamiento hasta que no conseguimos concentrarnos en nada más. Esto puede ser considerado como santidad o como una locura.
(definição de algum lugar na internet)

Não sei até que ponto não é loucura...

20 de novembro de 2006

Parando com a água com açúcar...


André Dahmer é sensacional!!! Confira os Malvados...

Portugal e seus frutos

Talvez EU esteja presente nestas e em outras linhas de Florbela...

:
Eu
:
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que alguém sonhou.
Alguém que veio ao mundo para me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

:
(Florbela Espanca)